quinta-feira, junho 21, 2012

Amor(es) um ensaio...

É engraçado como as pessoas ficam mais românticas em datas especiais, principalmente nessas comerciais, em que se deve dar um presente a pessoa amada, seja mãe, pai, namorado, todo mundo fica mais sensível nessas datas.
A gente tem diversos amores nesta vida, amigos, parentes, irmãos, pais, mas quando se fala em mais de uma alma gêmea, todo mundo fica de cara e acha um absurdo, fica inseguro, será que sou a opção número um ou número dois???
Não há opções numéricas, há opções possíveis, o possível de estar ou não com esta ou aquela pessoa, o estar perto ou longe, o estar bem ou mal.

Eu nem sei se estou com cabeça para escrever alguma coisa, mas vou tentar antes que eu exploda.

Dia de revirar caixas do maleiro, se tem um lugar que é difícil de mexer este lugar é o maleiro, poeira, mofo, e muitas muitas recordações, coisas boas e ruins, momentos que são resumidos a cartões e bichos de pelúcia que em algum lugar do passado foram presente e presentes a gente guarda quando quer se lembrar. E naquele amontoado de poeira quase secular, ela sobe na escada, retira caixa por caixa, olha seus cartões bilhetes e poesias, uma destas não foi ela quem escreveu. Reconhecia a caligrafia, em cada palavra lida, lembrou naquele instante de cada gesto, cheiro, gosto, dor e amor que envolviam aquelas palavras, cada olhar, cada toque, toque proibido, contido, inibido, mas que exalavam uma paixão nunca antes sentida, sentia novamente aquela respiração em seu ouvido e seus braços a envolvendo. Depois aquele olhar de despedida da cabeça recostada ao poste na incerteza do reencontro breve e a certeza que eles de fato haviam se encontrado nesta vida.
Sentiu neste momento suas asas pesarem, ela sabia onde estavam guardadas todas aquelas sensações, sabia onde buscar tudo aquilo, mas sabia que o momento de reviver tudo isso havia passado, que simplesmente não tinha mais o direito de ir ao seu encontro. Ficou se perguntando por horas, porque quando os relacionamentos dele terminavam era a primeira a saber? Mas com o grande passo de sua vida era o contrário disso, era a primeira a ser deixada de lado?
Não entendia essa dor, uma dor que ardia fundo, muito fundo, que lhe faltava a respiração e apertava o peito. Ela nunca precisou de nenhum meio de comunicação a não ser seu próprio coração para saber como ele estava, nunca precisou perguntar para ninguém como ele se sentia, ela simplesmente sentia o coração dele e sabia, se era felicidade, angústia, dor, dúvida, amor... ele ainda não sabia, mas ela sabia exatamente que esta era a garota com quem ele compartilharia sua vida, mas porque tirá-la disso?Será que seu amor por ela era tão grande quanto o dela por ele?Será que ele acha que provocaria dor com a sua felicidade? Será que ele pensa que o passado passou a ponto dela não ter ficado em nenhum pedacinho de sua existência? Será que ele jamais saberia que sua felicidade era o suficiente para tranquilizar o coração dela? Dúvidas, muitas dúvidas e a certeza que o amor verdadeiro não morre, ele apenas dá espaço para que as pessoas cresçam ao lado de quem a faça feliz.

sexta-feira, abril 08, 2011

Voltas e Revoltas



Por muito tempo olhou aquela porta. Cada vez que um barulho novo ecoava pela casa seu coração disparava, mas ela não fez nada, apenas esperou, como havia se proposto a fazer.
De repente barulhos de passos, eles iam aumentando em intensidade e freqüência, logo ficou mais perto de sua porta, alias muito perto e parou.
Ouvia sua respiração do outro lado da porta, mas não podia abrir, isso tinha que ser um ato que só ele poderia ter e mesmo seu coração tendo disparado, mesmo suas mãos estando suadas e seu corpo todo tremesse, ela ficou ali, estática olhando para a porta e para a maçaneta, que aumentava e diminuía de tamanho, tudo não passou de frações de segundos, mas pareceu uma eternidade. 
Um gesto, a maçaneta desce, a luz entra por debaixo da porta semi-aberta, ela estarrecida e ainda estática, não conseguia sair daquela posição que ficara por tanto tempo, ele com os olhos baixos e voz embargada,mal conseguia se expressar.
Ele levanta seu olhar e a olha nos olhos, ela vê que ainda há uma esperança,mas aquela luz que antes estava ali agora dá lugar a um vago vazio e isso não dava o conforto em seu coração que ela esperava,mas já dava um alento que invadia seu ser. Ficaram assim um tempo se contemplando em suas dores e angústias, duas coisas que só o tempo poderia apagar e dar lugar a coisas novas e diferentes , talvez ainda não vividas pelos dois.
Neste dia ela não sentiu vontade de voar, cantar, dançar ou amar, apenas sentiu vontade de sentir que ainda havia sangue em suas  veias e que seu coração ainda estivesse pulsando em  seu peito.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Chegadas e partidas

Lembrando desta cena ela apenas pensava em como ele chegara a sua vida. Tudo estava frio e era só desolamento e tristeza.Ela tinha uma vida normal,mas sem brilho , sem as cores que tanto valorizava para viver plenamente.Foi então que ela pediu , pediu alto, pediu com todas as suas forças que ela o queria , bem ela não o conhecia, mas sabia que ele existia e em algum lugar também esperava por ela e esperando por ela só faltava um passo para que os dois finalmente se encontrassem.

Então naquela noite ela já sentia que mais cedo ou mais tarde estariam juntos. Nesta mesma noite ela estava acompanhada de amigos e um rapaz, não que não houvessem outros no grupo,mas aquele em específico já havia sido seu motivo de superação. Eles ficaram juntos a noite toda, ouvindo música e fazendo as magias que sabiam, olhavam as estrelas e falavam sobre elas. Com o passar do tempo o frio foi chegando e eles resolveram aquietar juntos seus corações e assim abraçados e embalados pelo mesmo cobertor, cochilaram juntos, como duas crianças que caem exausta depois de um dia inteiro de brincadeiras ao sol. Acordando olharam-se um nos olhos do outro e perceberam que era tempo de se apaixonar novamente. Não um pelo outro, mas por pessoas novas que ainda estariam por vir, assim veio o pedido.Olhando dentro daqueles olhos azuis sentiu um calor percorrer seu corpo inteiro e ouviu uma voz ecoando em sua mente "ele esta por perto e logo estarão juntos , olhando-se como olha este rapaz agora, não como um irmão,mas com mutua paixão, espera e escuta seu coração" . A partir daí cada um seguiu seu caminho, como folhas carregadas no vento, sem saber onde parar.
Na noite seguinte ele mandou seu mensageiro, guiou os caminhos que a levaram até ele e quando olhou no fundo de seus olhos teve certeza que ele era seu amado desejado.
Ficara horas olhando-o, mas não conseguia articular nenhuma frase inteira, olhava e decorava seus lábios, seus olhos, seu rosto, suas mãos. Logo ele a beijou e depois disso ela apenas lembrava como era bom estar viva novamente .
Passava os dias a lembrar daqueles momentos e seu coração pulava cada vez que ouvia sua voz, sentia seu cheiro ou ouvia seus passos.
Cores, muitas cores pintavam seus dias novamente e sua presença mesmo que distante já a fazia sorrir por horas, isto tudo pode parece banal, mas para um coração em cicatrização e recém saído das cinzas, era tudo que ela tinha.
O tempo foi passando e ele disse que precisaria partir.
Foi à primeira vez em meses que ela simplesmente não sabia o que fazer, faltava o chão e o ar.
Assim foi muitas vezes, com partidas e chegadas e cada vez a dor aumentava mais e mais, mas ela suportava, pois seu amor era ainda mais forte que a sua dor.
Agora o vê na porta com suas malas e seu sorriso que tantas vezes iluminou seus dias e não consegue pensar em nenhuma ação, pois não sabe se desta vez ele irá voltar e abrir seus braços, a envolver no seu carinho e se perder em seus beijos.
Ela fica ali, sentada em sua cama olhando a porta e imaginando: quando ela irá se abrir novamente?

quarta-feira, setembro 09, 2009

Amanhecendo

Os primeiros raios do dia invadiram o quarto e o tomaram de uma cor alaranjada, todos os móveis pareceram pegar fogo naquela manhã, abriu os olhos lentamente, não queria acordar daquele sonho, sonho que sempre encontrara com sua metade perdida.
Esfregou seus olhos, levantou-se, lavou seu rosto e virando-se novamente para sua cama percebera que havia alguém, não acordado, mas ali. Não estava em seus sonhos, mas o escolhera para sua vida, chegou num pedido feito aos céus, mas com um preço caro a se pagar.
Ficou parada à porta olhando para ele dormir, acompanhava sua respiração, sentia uma vontade estranha entre sorrir e sair correndo, mas não ela não fez uma coisa ou outra, apenas ficou ali olhando e pensando.
Onde seus pensamentos estariam?Onde seus sonhos o levariam?Será que ele era capaz de entrar nos seus sonhos e descobrir seus segredos?
Neste momento os sentimentos de pânico misturado a um extremo alívio invadiu a sua alma, porque se ele descobrira não sentiria mais que estava traindo sua confiança, porém isso a deixava em pânico, pois sabia que ele jamais entenderia aqueles sentimentos dúbios e confusos.
Neste momento ele acorda e pergunta por que estava tão longe?
Ela volta para cama e recebe seus beijos e seus carinhos, se deixa levar por suas caricias e esquece por um momento de pensar e passa a sentir, a se sentir viva novamente.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Acabou Agosto

É, Agosto acabou, é o fim, finito, the end.
E o que isso tem de tão importante?
Sabe aquelas coisas que a gente põe prazo pra acontecer na nossa vida e os principais envolvidos nem sonham?Eu fiz isso...
Pois é, maluquice?Claro,mas dá licensa que a maluquice é minha e eu faço o que quiser com ela.
Bem, pelo menos Agosto terminou.
Mas porque eu não me sinto melhor com isso?
Acho que porque eu não posso controlar o tempo das pessoas e isso me incomoda absurdamente.
Se nem o meu eu controlo , pq haveria de controlar o de outras pessoas?Maluca?Sempre...rs
Eu queria muito resolver coisas inresolviveis(existe isso?), insoluveis e involuntárias,mas não esta nas minhas mãos tamanho infantil,então espero,mesmo Agosto terminando eu fico esperando,será que um dia resolve?Espero que sim,pois dói,arde e cansa.
Beijoesperandovoceligar....

quinta-feira, agosto 27, 2009

Cutucando

Este último mês passei arrumando minhas coisas, comecei por meu ateliêr( que na verdade é um quartinho aqui de casa, onde ficam meus materiais, mas é tão pequeno que não consigo produzir nada por lá) depois o quarto, cada gaveta cada armário, ontem terminei o último maleiro, sabe aquele? O das cartas, cartões de aniversário, a faixa do judô de criança, os cadernos de recordações, os óculos antigos da avó, pois bem este mesmo.
Me dava pavor ter que abri-lo ,afinal isso significaria que eu teria de correr o risco de encontrar fragmentos de um passado meio atual, afinal, eu ainda sou muito jovem.Rs.
Não é que encontrei o tal passado, as vezes ele doeu, as vezes me fez rir, outras espirrar, outras me encher de esperanças, afinal o mês ainda não acabou e tudo pode acontecer até lá.
Fiquei lendo, olhando, pensando nas coisas que ficaram pra trás , nas coisas que deveriam estar acontecendo e não estão e naquelas que estão.
Li letras de músicas...umas que ninguém conhece e outras que muitos conhecem.
Uma delas me fez pegar o violão...sério minha gente , desenterrei meu velho amigo e arrisquei umas notas...claro que ficou horrivel,mas pelo menos me fez cantar e viver música.Qual música?

Outro lugar

Milton Nascimento
Composição: Elder Costa


Cê sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Não vê que tá errado, tá errado me querer quando convém
E se eu não tô enganado acho que você me ama também

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contêm
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já tô molhado, tô molhado de esperar você aqui

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a história passa e pode me levar

E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum
Enquanto não voltar
Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que está chegando a hora de dormir.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Abismos

Olhando agora para frente ela percebia o abismo que se abrira diante de seus pés. O chão faltava e ela já não podia respirar mais com tanta facilidade quanto antes, pois seu coração se apertara e seus pulmões pareciam mais flácidos, soltos, faltado paredes dos lados, assim como faltava seu chão neste momento.

Ela o via ainda, mas percebeu também que ele nunca partira, apenas estava do outro lado, era só olhar para frente e ele estaria sempre ali com os mesmos olhos, talvez sem o mesmo brilho e certamente jamais ao seu lado, já que a distancia era muito grande para se aproximarem da forma que eles imaginavam .

Passava os dias com os pensamentos soltos a procurar qual a melhor solução, qual a melhor forma de chegar ao outro lado, qual melhor forma de mostrar a ele que os lados eram opostos, mas tudo parecia ser em vão, afinal tem uma coisa na distancia, o som também é afetado, então ele nunca conseguira ouvir direito o que ela falava, perceber seus gestos ou desespero.

Pensava em mandar um bilhete por sua mensageira alada de sempre, sua confidente, a quem revelava sempre seus segredos, tudo parecia perdido e em vão seus olhos desesperados e ele parecia de cera, estático, com ações tímidas, parecia inerte em pensamentos vagos distantes e soltos em algum lugar inacessível aos seu .

Os dias se passavam e tudo o que ela conseguia pensar era: o que realmente a prendia nessa situação?Afinal, se não era ouvida, sentida ou amada porque ela insistia naquele olhar vago e distante?